Quando a dúvida durava um dia

Uma pessoa está escrevendo em um caderno ao lado de um livro aberto sobre uma mesa de madeira.

Ao longo da semana, em conversas com amigos, rememorei o modo como eu e meus colegas estudamos durante a nossa graduação, de 2006 a 2011. Na época, nós não tínhamos acesso a notebooks, laptops e muito menos smartphones — que surgiram como conhecemos hoje em 2007. O processo de aprendizado era totalmente manual, utilizando livros, artigos impressos e a escrita. Não existiam tablets capazes de armazenar dezenas de livros e artigos em um único local.

Durante esse período, com frequência me recordo de que, ao estudar, mantinha um pequeno caderno onde registrava minhas dúvidas, trechos, referências, entre outros elementos que me atraíam e que, obviamente, me ajudariam a ser aprovado nas disciplinas. Lembro-me de várias vezes em que tinha de esperar chegar à biblioteca, passar alguns bons minutos para encontrar um livro que respondesse às minhas perguntas. Nada ocorria imediatamente. Às vezes, a dúvida era “carregada” de um dia para o outro, já que não tinha acesso a livros acadêmicos fora da universidade.

Era uma época em que nenhuma solução era imediata! Tudo precisava esperar, seja para chegar à biblioteca no dia seguinte para pegar o livro x ou para falar com o professor y, isso quando estavam disponíveis. Cansei de ir à biblioteca e encontrar o livro que procurava emprestado! Nesse caso, o tempo de espera para esclarecer minhas dúvidas era bem maior.

Recentemente, retornei à vida acadêmica e percebi o quão rápido podemos encontrar respostas para as nossas dúvidas. Tenho um dispositivo com dezenas de livros de meu interesse e internet acessível a qualquer momento para realizar pesquisas. Hoje, não há espera!

Como tudo se tornou tão rápido e tão imediato, às vezes eu tenho a sensação de que poderia fazer mais, produzir mais. Não me recordo de ter vivenciado isso na época da graduação. Naquele período, era mais leve, embora me sentisse pressionado nos estudos — até porque conduzir um curso de física nunca foi fácil —, fazia o meu melhor, mas não tinha o sentimento de que podia ser mais produtivo. É um sentimento estranho que, às vezes, leva a um estresse desnecessário.

É inegável a evolução que o acesso à tecnologia traz à sociedade, mas eu acredito que ainda não sabemos como lidar com toda essa evolução que nos foi apresentada ao longo da última década. Muita coisa mudou desde a conclusão da minha graduação e, claro, o acesso às tecnologias tem um papel central nessa mudança.

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