Preservando a memória das minhas anotações com o Obsidian
Desde 2011, faço anotações de inúmeras coisas do meu dia a dia, mas muitas dessas anotações se perderam com o tempo — mais precisamente por puro descuido meu em não gerenciar os registros — e, consequentemente, não tenho mais essas notas. Porém, desde quando resolvi usar a filosofia File over app apresentada pelo Kepano — atual CEO do Obsidian —, venho transferindo gradualmente as anotações que tenho em aplicativos como Evernote, Onenote, AppleNotes e Bear Notes para o Obsidian. Dessa forma, consigo gerenciar localmente minhas notas que, agora, são arquivos Markdown no meu computador.
Não lembro exatamente quando comecei a usar o Obsidian, acredito que desde meados de 2021 para fazer anotações dos mais variados tipos. O meu cofre atende a múltiplos propósitos: estudo e minha pesquisa acadêmica (doutorado em física), gestão de conhecimento pessoal, produtividade, programação e blog pessoal. Houve uma evolução clara do meu sistema de anotações livres para uma abordagem mais estruturada com um “banco de dados” — usando o bases — e templates.
Durante o processo de importação das minhas notas, notei que, embora eu tenha muitas notas antigas, muitas delas perderam seus metadados. Informações importantes como data e hora de criação, local e imagens foram perdidas e, infelizmente, são irrecuperáveis. Para uma pessoa nostálgica como eu, é realmente angustiante ter um registro, mas não ter informações detalhadas sobre onde e como ele foi criado.
A solução foi um plugin do Obsidian
Com as notas antigas, nada posso fazer. No entanto, para não arriscar perder algumas informações das notas que venho criando atualmente, estou tomando o cuidado de, ao criar uma nota, usar a data e hora como “título da nota”1. Como uso o Obsidian para escrever minhas anotações, tem um plugin nativo que facilita muito a minha vida. O Unique Note Creator é um plugin perfeito na sua simplicidade — me lembrou a filosofia UNIX, sobre a qual pretendo escrever um post futuramente —, ele apenas cria uma nota com um identificador único que pode ser configurado pelo usuário e por padrão vem no formato YYYYMMDDHHmm, que simplesmente significa ANO-MÊS-DIA-HORA-MINUTO.

Esse formato garante que a nova nota seja única, exceto se você criar duas ou mais notas no intervalo de um minuto, nesse caso a nota segue uma numeração sequencial iniciando a partir do minuto registrado na primeira nota. Essa abordagem me garante que eu sempre saiba, pelo menos, o dia e a hora daquela minha anotação. Para complementar a informação da nota, após a sequência de números, eu escrevo duas ou três palavras que referenciam a nota na sua totalidade, como um tipo de palavras-chave.

O título da nota propriamente dito, coloco em uma propriedade de texto chamada title (título em inglês). Aqui, por ser um campo de texto, posso escrever livremente o título da nota.
Toda essa abordagem, no começo, pode parecer besteira, mas após acumular notas com anos de existência, você com certeza vai querer saber, pelo menos, quando cada uma foi escrita. Acredito que essa metodologia irá resolver parcialmente o problema de perda de metadados das minhas anotações, pelo menos a data e a hora de criação estarão preservadas no nome do arquivo.
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No Obsidian, o título se confunde com o nome do arquivo. Como as notas do Obsidian são arquivos locais no formato Markdown, o nome dos arquivos aparece no topo da nota, como um título. ↩︎